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Viver melhor, tendo Lúpus Eritematoso

23 March 2010 4,143 views No Comment

Lúpus eritematoso é uma doença que foi descrita ainda no tempo de Hipócrates, significando “lobo vermelho”, e recebeu o nome devido ao rash característico, tendo em consideração a sua natureza erosiva, sendo relacionado com danos causados por um lobo esfomeado (Phipps, 2003), e também pelo facto dos primeiros médicos o descreverem, achando semelhança entre as lesões erosivas da cara e as cicatrizes provocadas pela mordedura de um lobo. É uma doença inflamatória crónica, de origem auto-imune, que afecta principalmente a pele, as articulações e os rins, apesar de poder afectar qualquer órgão do corpo.

O lúpus eritematoso sistémico (LES) é mais frequente nas mulheres (em cada 10 doentes, nove são do sexo feminino), especialmente jovens e de meia-idade. Embora atinja sobretudo as mulheres jovens, entre os 20 e os 30 anos de idade, esta doença pode aparecer nas crianças e nos indivíduos idosos. Um estudo realizado nos Estados Unidos da América revelou que a incidência em mulheres afro-americanas é três vezes superior às mulheres de raça branca (Direcção Geral da Saúde, 2005).

A sua etiologia (causa) é ainda desconhecida. Contudo, sabe-se que factores associados ao desenvolvimento de lúpus incluem: factores genéticos (familiares de pessoas com LES têm mais probabilidade de apresentar a doença); factores ambientais (exposição a luz ultravioleta, conhecida por causar exacerbações, toma de determinados fármacos, ou outros factores de origem viral); alterações na resposta imunitária, que podem causar anticorpos que se depositam nos tecidos, danificando-os.

O LES caracteriza-se, assim, pela produção de anticorpos contra as células do próprio organismo, impossibilitando o sistema imunológico de combater corpos estranhos.

A manifestação inicial do LES é, frequentemente, artrite, ou seja, inflamação das articulações ósseas (95% das pessoas com LES desenvolvem artrite). Para além disso, podem ocorrer: contracturas, diminuição da força muscular, fadiga, perda de peso, fotossensibilidade, desenvolvimento de um rash e, por vezes, febre aquando da exposição ao sol. O eritema (vermelhidão), usualmente com formato de uma borboleta, aparece sob a face e o nariz, sendo que as margens destas lesões são vermelhas brilhantes e podem estender-se para além da linha do cabelo. As lesões podem também ocorrer na parte exposta do pescoço.

Contudo, para as pessoas com LES, mais importante do que conhecer os sintomas da doença é conhecer as manifestações clínicas que traduzem agudização da mesma.

Os principais sintomas que traduzem a agudização do LES são: a febre, as artrites agudas, as convulsões, as dores torácicas e a dispneia (falta de ar), os rashes cutâneos, (aparecimento de manchas avermelhadas na pele), a alopecia (queda de cabelo) e as úlceras orais e/ou nasais.

As pessoas com esta doença devem também conhecer os factores que podem precipitar uma agudização, de forma a evitarem a sua ocorrência. Estes factores prendem-se essencialmente com: a luz solar, a luz fluorescente (há casos de jovens cujo LES se agudiza após terem passado uma noite numa discoteca), as infecções, a gravidez, certos medicamentos como a penicilina, as intervenções cirúrgicas e as grandes emoções ou situações de stress.

Desta forma, as pessoas com LES não devem ir à praia e expor-se ao sol. Podem permanecer junto à beira-mar, sendo, todavia, prudente protegerem-se com um creme opaco às radiações ultravioletas. De igual forma, sempre que estão em espaços abertos e estiverem expostos ao sol, o protector solar deve ser usado.

As vacinas não estão contra-indicadas, e até são úteis nos doentes que estão a tomar corticosteróides e imunossupressores (medicamentos que suprimem o sistema imunitário, que é um sistema de defesa do organismo), dado que estão mais sujeitos a contraírem infecções.

Em relação à alimentação, a dieta deve ser equilibrada em proteínas, gorduras, hidratos de carbono e sais minerais. Não há dietas especiais para tratar esta doença reumática. Se a pessoa se encontrar a tomar corticosteróides (fármacos que provocam retenção de líquidos), deve ingerir pouco sal e comer alimentos ricos em potássio (vegetais, laranjas e bananas) e em cálcio (leite, queijos magros e iogurtes).

Esta doença origina fadiga, justificando períodos de repouso ao longo do dia e fins-de-semana mais prolongados.

O exercício é igualmente importante, por contribuir para o fortalecimento muscular e por ajudar a combater o humor depressivo. Caminhar, nadar, andar de bicicleta, são algumas das actividades que poderá desenvolver.

Actualmente, o LES é uma doença que se encontra a ser estudada, estando a ser investigadas novas formas de tratamento, pelo que melhores perspectivas se abrem para as pessoas com esta doença.

Acompanhada por técnicos de saúde especializados, e adoptando estilos de vida e hábitos que previnam a agudização desta doença, a grande maioria das pessoas com LES leva uma vida normal.

Enf. Paula Caetano

Mestre em Saúde Pública

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