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Vigie a sua Tensão Arterial

23 March 2010 4,474 views No Comment

A hipertensão arterial (HTA) é o principal factor de risco para as doenças cardiovasculares, nomeadamente para a ocorrência de acidente vascular cerebral e para a doença isquémica do coração.

A hipertensão arterial afecta milhões de pessoas com uma diferença notória conforme a origem étnica. Por exemplo, nos Estados Unidos, onde afecta mais de 50 milhões de pessoas, 38 % dos adultos negros sofrem de hipertensão, em comparação com 29 % de brancos.

Nos países desenvolvidos, calcula-se que só se diagnostica esta perturbação em dois de cada três indivíduos que dela sofrem, e só 75 % deles recebem tratamento farmacológico, e este só é adequado em 45 % dos casos.

Estudos efectuados à população portuguesa, em 2004, revelaram que a prevalência (número de casos existentes) de HTA é de 43,7%. A nível regional, verifica-se uma menor prevalência no Norte, sendo que a mais alta é registada na região do Alentejo. Relativamente ao género, a HTA é mais frequente nos homens do que nas mulheres em todos os grupos etários, à excepção dos idosos com mais de 75 anos de idade. Contudo, os estudos revelaram ainda que, dos hipertensos encontrados, apenas 46,1% conheciam a sua situação.

Torna-se, assim, essencial compreender o que é a hipertensão arterial, para que a possamos detectar e para que seja procurada assistência médica e de enfermagem com o objectivo de controlar os valores tensionais e, assim, reduzir o risco de aparecimento das doenças cardiovasculares.

E o que é a tensão arterial? Porque é que surgem dois valores diferentes? Que significa cada valor? Efectivamente, quando se mede a pressão arterial, registam-se dois valores. O mais elevado (tensão sistólica) produz-se quando o coração se contrai (sístole) e o sangue é bombeado para todo o corpo; o mais baixo (tensão distólica) corresponde ao relaxamento entre um batimento e outro (diástole).

A pressão arterial elevada define-se como uma pressão sistólica em repouso superior ou igual a 140 mm/Hg, uma pressão diastólica em repouso superior ou igual a 90 mmHg, ou a combinação de ambas. Na hipertensão, geralmente, tanto a pressão sistólica como a diastólica estão elevadas.

A elevação da pressão nas artérias pode dever-se a vários mecanismos. Por exemplo, o coração pode bombear com mais força e aumentar o volume de sangue em circulação. Outra possibilidade é que as artérias percam a sua flexibilidade normal e se tornem rígidas, de modo a não poderem expandir-se quando o coração bombeia sangue através delas. Por esta razão, o sangue proveniente de cada batimento vê-se forçado a passar por um espaço menor do que o normal e a pressão aumenta. A pressão arterial aumenta também de forma similar quando ocorre vasoconstrição (quando as artérias mais pequenas se contraem temporariamente pela estimulação dos nervos ou das hormonas circulantes). Por último, a pressão arterial pode aumentar se se incrementar o afluxo de líquido ao sistema circulatório. Esta situação verifica-se quando os rins funcionam mal e não são capazes de eliminar sal e água em quantidade suficiente. O resultado é que o volume de sangue aumenta e, como consequência, aumenta a pressão arterial.

Para cerca de 90% das pessoas com pressão arterial elevada, a causa é desconhecida. Essa situação denomina-se hipertensão essencial ou primária, e surge provavelmente devido a uma combinação de diversas alterações no coração e nos vasos sanguíneos. Quando a causa é conhecida, é denominada hipertensão secundária. Entre 5 % e 10 % dos casos de hipertensão arterial têm como causa uma doença renal, e entre 1 % e 2 % têm a sua origem numa perturbação hormonal ou no uso de certos fármacos, como os anticonceptivos orais.

Regra geral, nos primeiros anos, a hipertensão arterial não provoca quaisquer sintomas, à excepção de valores tensionais elevados, os quais se detectam através da medição da pressão arterial. Em alguns casos, a hipertensão arterial pode, contudo, manifestar-se através de sinais como a ocorrência de cefaleias, tonturas ou um mal-estar vago e difuso, que são comuns a muitas outras doenças. Com o decorrer dos anos, a pressão arterial acaba por lesar os vasos sanguíneos e os órgãos vitais (o cérebro, o coração e os rins), provocando sintomas e sinais de alerta vários.

Contudo, a ausência de quaisquer sintomas durante a fase inicial da doença faz da medição regular da tensão arterial um hábito a seguir. Todos os adultos, em particular os obesos, os diabéticos e os fumadores ou com história de doença cardiovascular na família, devem medir a sua pressão arterial pelo menos uma vez por ano, se ela se encontrar dentro dos parâmetros normais (Fundação Portuguesa de Cardiologia).

A obesidade, um hábito de vida sedentária, o stress e o consumo excessivo de álcool ou de sal, a má alimentação, o tabagismo e o stress são factores de risco no aparecimento da hipertensão arterial em pessoas que possuem uma sensibilidade hereditária. Desta forma, a adopção de um estilo de vida saudável constitui a melhor forma de prevenir a ocorrência de hipertensão arterial. Reduza a ingestão de sal na alimentação; privilegie uma dieta rica em frutos, vegetais e com baixo teor de gorduras saturadas; pratique exercício físico de forma regular; modere o consumo de álcool; diminuía ou deixe mesmo de fumar; no caso de indivíduos obesos é aconselhável uma redução de peso.

Não existe uma cura efectiva para a hipertensão arterial. Contudo, apesar de ser uma doença crónica, na maioria dos casos é controlável. A adopção de um estilo de vida saudável proporciona geralmente uma descida significativa da pressão arterial. Desta forma, não hesite: faça o rastreio. Estudos efectuados em Portugal demonstram que apenas 39% dos hipertensos se encontram tratados e apenas 11,1% têm a tensão arterial controlada. Não seja mais uma vítima desta doença silenciosa, que pode ser mortal; não faça parte destas estatísticas assustadoras: cuide da sua saúde!

Enf. Paula Caetano

Mestre em Saúde Pública

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