Home » Cuidados Paliativos, Featured, Psicologia

O Psicólogo, o Doente, a Família e os Cuidados Paliativos

22 March 2010 8,356 views No Comment

Partilhando o mesmo objectivo máximo da prestação de Cuidados Paliativos, que relembro, se trata de erradicar a dor/ controlar sintomas proporcionando ao doente maior bem-estar e, qualidade de vida que perdure até ao fim de vida, o Psicólogo na equipa tem uma acção essencial quer junto do doente, como da sua família e dos profissionais de saúde que consigo prestam cuidados.

Junto do doente, o psicólogo, poderá agir no controlo de sintomas através de técnicas de relaxamento, imaginação, distracção e imitação de comportamentos que contribuam para o seu bem-estar ou mesmo hipnose, mas é também o profissional privilegiado para explorar as dúvidas, crenças, mitos, medos e necessidades especificas, e acompanhar o seu conhecimento, sentimentos e pensamentos em relação ao processo de doença e aos cuidados que lhes estão a ser prestados.

Tendo como principal agente terapêutico as suas competências de comunicação, o psicólogo poderá criar uma relação de confiança com o doente e clarificar (ou facilitar a clarificação junto dos outros) no sentido de diminuir a sua ansiedade, stress, depressão, (e consequente dor e sofrimento). A sua adesão aos cuidados será maior e o seu estado de saúde (ainda que não seja possível um processo curativo) poderá estabilizar, trazendo maior bem-estar e satisfação ao doente e família.

Para uma empatia e relação genuínas, é essencial que compreenda, muito para além do processo de doença, a pessoa na sua totalidade, as suas características de personalidade e experiência de vida. Este aspecto torna-se essencial quando se trata de momentos em que se faz transmissão de más noticias, quando há agressividade ou negação da doença (ou da sua gravidade), quando a família não quer que o doente tenha conhecimento do seu estado de doença ou em que o doente queira esconder o diagnóstico da família.

Junto da família, o psicólogo, poderá da mesma forma, facilitar o fornecimento de informação, facilitar a compreensão, decisões e aceitação do processo de doença, promovendo a comunicação quer com os profissionais (reduzindo as dúvidas existentes e consequentemente, os frequentes conflitos no que diz respeito á administração medicamentosa, alimentação, mobilização, sedação, etc.), quer com o familiar doente, quebrando a “conspiração do silêncio” (esconder diagnóstico de parte a parte).

Assim também se caminha no sentido de quebrar o isolamento, facilitando a expressão de emoções e o suporte emocional de ambas as partes, reduzindo conflitos e facilitando a resolução de questões pendentes que são relevantes de resolver para o doente que vive a última etapa da sua vida.

O apoio psicológico aparece também como essencial na prevenção de síndrome de exaustão do cuidador, um familiar ou amigo (principalmente quando o doente está em casa e não existem cuidados domiciliários por parte de equipas de profissionais), assim como na transmissão de más noticias, momento de despedida, preparação para a morte e luto.

Junto da equipa multidisciplinar, o psicólogo é responsável por detectar sinais de alarme e prevenir o burnout (estado de exaustão que aparece maioritariamente associado ao stress profissional e fadiga física e emocional), largamente conhecido nesta área da saúde.

Deve facilitar a expressão de emoções e a partilha das experiências decorrentes da prestação de cuidados, da vivência de processos de morte e luto quase diários. É também função do psicólogo, no seio da equipa, partilhar conhecimentos e fomentar aprendizagens, em formações mais ou menos formais, relacionadas com a optimização da comunicação e relação com doentes, famílias e outros profissionais, para maior eficácia dos cuidados e maior beneficio de todos aqueles que se envolvem nos Cuidados Paliativos.

Drª Lídia Rego
Psicóloga Clínica da Saúde

Leave your response!

Add your comment below, or trackback from your own site. You can also subscribe to these comments via RSS.

Be nice. Keep it clean. Stay on topic. No spam.

You can use these tags:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

This is a Gravatar-enabled weblog. To get your own globally-recognized-avatar, please register at Gravatar.