Home » Cuidados Paliativos

O Fim de Vida: em Casa ou no Hospital?

14 May 2010 3,233 views No Comment

Na sociedade ocidental, por entre todos os temas amplamente discutidos perante a opinião pública, a morte mantém-
-se com um tabu. É raro falarmos dela no nosso quotidiano ou perspectivarmos a nossa própria mortalidade nas decisões e percursos que tomamos na nossa vida. Mesmo por entre profissionais de saúde, pessoas com formação diferenciada e qualificados para cuidar do processo de vida e de morte das pessoas, existem muitas dificuldades em lidar com os doentes em estadio terminal e com os seus familiares.

Este é um traço cultural marcado da nossa sociedade. No entanto, para as pessoas em final de vida e seus familiares, é um dos factores que dificulta a vivência deste processo – com quem falar? Quem irá cuidar destas situações e acompanhá-las adequadamente, com a naturalidade e respeito que lhes é devida? Os cuidados paliativos estão a emergir no nosso país, mas, ainda assim, não são uma prática generalizada por entre os profissionais de saúde.

A morte e a doença fazem parte da nossa existência, enquanto seres humanos, no ciclo que vida que enfrentamos e experienciamos de uma forma muito própria e pessoal. Enquanto ser vivo, o ser humano é simultaneamente a espécie mais complexa do nosso planeta, mas que tem também maior dificuldade em lidar com estas questões.

Em situações de doença prolongada e morte eminente, existem situações para ser resolvidas e decisões para serem tomadas. Decisões tão importantes tanto para o familiar, como para o doente em si. Palavras para serem faladas, perdões para serem concedidos e afectos para serem trocados.

Tudo isto exige um espaço e acompanhamento adequados, para que, quer a família, quer o doente, possam ter condições de qualidade nas suas vidas, que lhes permitam cumprir estas últimas necessidades.

Existem várias razões que levam as pessoas a recorrer ao hospital em caso de agonia, proximidade da morte, do seu familiar. Muitas destas razões são motivadas pelo medo, pela falta de preparação. Os familiares muitas vezes não sabem como agir numa situação destas, não sabem reconhecê-la como sendo a etapa final da vida e enviam, por vezes, os seus entes queridos para o hospital, em busca de uma recuperação ou de outro tipo de acompanhamento, causando um maior sofrimento à pessoa doente e a vivência de uma morte impessoal, num local estranho e sozinho.

Outras pessoas, por outro lado, conseguem encontrar locais de internamento, em residências, lares ou hospitais, onde sentem que os profissionais estão preparados para estas situações – e conseguem, portanto, gerir a dor, outros sintomas desconfortáveis e dar apoio emocional à família e ao doente de forma adequada, proporcionando uma morte digna e com menor sofrimento.

No entanto, existem alguns estudos nesta área. Está amplamente documentado que, a maioria das pessoas, gostaria de ter a oportunidade de morrer em casa, acompanhada pelos seus familiares. A morte em casa era uma prática comum, que se foi dissipando com a evolução da medicina e o refúgio da morte do escrutínio público, nos hospitais. No entanto, actualmente, é uma prática possível e até desejável, se forem garantidas as condições necessárias.

A morte em casa permite uma vivência íntima e pessoal deste processo. No hospital, raramente os familiares têm oportunidade de acompanhar a pessoa e, infelizmente, ainda existe alguma falta de preparação por parte de médicos e enfermeiros para desempenhar este papel.

Para que esta opção seja uma opção viável, os familiares têm que ser amplamente preparados para este processo. A não-aceitação da morte de um familiar pode levar a que os membros da família não sejam capazes de acolhê-lo no seio das suas casas, durante este processo, e o enviem para o hospital. Para além disso, é fulcral a existência de uma equipa de saúde que tenha conhecimentos nesta área, e seja capaz de gerir os sintomas característicos de forma eficaz, que permitam a melhor qualidade de vida possível para este tipo de doentes e para as suas famílias.

Leave your response!

Add your comment below, or trackback from your own site. You can also subscribe to these comments via RSS.

Be nice. Keep it clean. Stay on topic. No spam.

You can use these tags:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

This is a Gravatar-enabled weblog. To get your own globally-recognized-avatar, please register at Gravatar.