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Fractura do colo do fémur: a importância da Fisioterapia

25 July 2010 13,254 views No Comment

A fractura do colo do fémur é um dos tipos de fractura mais frequente na sequência de acidentes no idoso. Isto deve-se devido ao facto de pessoas com mais de 60 anos frequentemente sofrerem uma diminuição da densidade óssea desta região.

Os acidentes envolvidos neste tipo de traumatismo são frequentemente moderados e associados a movimentos de rotação, como uma queda ou um tropeção. No entanto, a fractura do colo do fémur pode também ocorrer espontaneamente.

Tendo em conta os dados clínicos disponíveis e sabendo que este tipo de situação ocorre maioritariamente em idosos, a fractura do colo do fémur representa um problema significativo em termos de morbilidade e mortalidade. Para além da dor, regular e intensa neste tipo de casos, os idosos que sofrem fractura do colo do fémur são frequentemente hospitalizados por um período não inferior a 30 dias. Estes períodos longos de internamento, onde a pessoa permanece por largos períodos no leito, vão também contribuir para a perda de capacidades do idoso.

De referir que, dos acidentes mais comuns na faixa etária idosa, a fractura do colo do fémur tem um elevado nível de incapacidade física, isto é, apenas uma pequena parte das pessoas que sofrem esta condição recupera a sua mobilidade anterior.

Existem diversos factores que nos podem ajudar a compreender este facto. Sabemos que, com o avançar da idade, a recuperação e regeneração dos tecidos são mais lenta e mais frágil. Sabemos também que, na maioria dos idosos, as patologias pré-existentes dificultam uma recuperação total. No idoso, a recuperação da mobilidade exige um peso corporal adequado, uma coordenação motora eficaz e uma gestão adequada da dor associada à recuperação da lesão.

Muitas destas lesões são tratadas através de processos cirúrgicos, que recolocam o osso no sítio original e o fixam, para que solidifique e volte a proporcionar o apoio que antes representava aquele membro inferior.

No entanto, após esta fase inicial, é fundamental investir na recuperação da mobilidade.

Ao longo do processo de tratamento da fractura do colo do fémur, são vários os profissionais que investem neste sentido: fisiatras, enfermeiros e, em importante destaque, os fisioterapeutas.

Estes últimos serão os técnicos mais presentes no processo de reabilitação da pessoa que perdeu a sua mobilidade. Os fisioterapeutas acompanharão, no hospital ou no domicílio, a recuperação clínica do idoso e avaliarão a sua capacidade de iniciar um treino de recuperação. Este treino passa, não só por exercícios para recuperação da força muscular dos membros inferiores, como também por rotinas de manutenção da amplitude e mobilidade articular, tão frequentemente comprometidas após períodos de imobilidade e internamento hospitalar. O treino de marcha com apoios e a visita regular do fisioterapeuta ou do enfermeiro de reabilitação, permitirão uma recuperação vigiada e gradual de capacidade.

Sem este tipo de intervenção, a lesão, ainda que recuperada, não vai permitir que muitos dos idosos voltem a caminhar como anteriormente, provocando uma grande diminuição na sua autonomia e capacidade de auto-cuidado. Quando não existe este tipo de investimento, estas situações de dependência provocam grandes alterações na dinâmica das famílias e um sofrimento significativo do idoso, na alteração da sua imagem e conceito.

É fundamental que cada família tenha oportunidade de dispor deste tipo de acompanhamento diferenciado, quando se depara com este problema. É também importante que as expectativas, quer da família, quer do doente, sejam validadas ao longo de todo este processo: a fisioterapia vai permitir uma reabilitação e recuperação do seu familiar, em caso de bom prognóstico. No entanto, é fundamental compreender que este pode não regressar ao seu estado de mobilidade anterior. Ainda assim, a fisioterapia vai permitir que a pessoa idosa se consiga adaptar às novas condições existentes, desenvolvendo a sua mobilidade de acordo com as novas potencialidades que esta possui.

Esta avaliação é feita pela equipa de saúde. Em casos de pessoas que não conseguem retornar ao seu estado de mobilidade anterior, o fisioterapeuta é também um elemento chave na aprendizagem da utilização de auxiliares de marcha, tais como a bengala, o tripé, o andarilho, entre outros. Estas novas aprendizagens podem permitir que muitos idosos mantenham a sua autonomia e a sua capacidade de auto-cuidado.

Se está perante uma situação semelhante, por favor, contacte o seu médico assistente. Os recursos comunitários são escassos, mas existem. Para além disto, pode sempre contar com equipas personalizadas de empresas de saúde ao domicílio.

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