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Fisioterapia na Doença de Parkinson: qual o ganho?

29 September 2010 7,243 views No Comment

A doença de Parkinson é uma doença ainda pouco divulgada junto da população.

Muitos de nós conhecemos este nome mas, afinal, o que é a doença de Parkinson?

A doença de Parkinson constitui uma doença de distúrbios do movimento. É mais comum nos idosos, mas também pode afectar pessoas jovens, com idade superior a 30 anos. O facto de não ser uma doença de declaração obrigatória, visto não ser contagiosa, leva a que a opinião pública subestime a sua incidência, no entanto, em Portugal, existem cerca de 85 a 187 casos por cada 100.000 habitantes.

A doença de Parkinson, com um processo fisiopatológico complexo, é essencialmente caracterizada por quatro sinais: rigidez muscular, tremor corporal, bradicinesia e instabilidade postural. Nalguns casos é também frequente existir um comprometimento cognitivo que pode gerar um nível elevado de incapacidade funcional, principalmente quando associada à diminuição física de capacidade de mobilidade.

A rigidez muscular, na doença de Parkinson, existe associada ao movimento, e agrava-se com a progressão do mesmo. O tremor corporal é o sintoma que a opinião pública mais relaciona com a doença de Parkinson, no entanto, apenas 25% dos doentes apresentam tremor, de forma ténue. A bradicinesia significa a lentidão do movimento, e caracteriza-se pelo atraso em iniciar os movimentos, causados pela demora do cérebro em transmitir as instruções necessárias às partes apropriadas do corpo. A instabilidade postural prende-se com a perda de reflexos comuns, como o equilíbrio e o tónus postural.

Tendo em conta estas diferentes situações, que coincidem, de forma mais ou menos evidente, segundo a progressão da doença na pessoa com Parkinson, podemos compreender facilmente que uma das suas principais limitações se relaciona com o movimento.

Apesar de ainda não existir uma cura conhecida para a doença de Parkinson, existem muitos tratamentos disponíveis, farmacológicos e não farmacológicos, que podem atrasar significativamente a progressão da doença e melhor bastante a qualidade de vida de todos os envolvidos.

Por entre essas medidas de intervenção, destaca-se a fisioterapia e a neuroreabilitação.

No doente com Parkinson, estas terapias permitem uma intervenção diferenciada, direccionada para os diferentes estadios da sua condição clínica.

Numa fase inicial, a fisioterapia com o doente com Parkinson permite a prevenção da inactividade dos doentes, associada muitas vezes ao receio de cair e ao medo de redução do movimento. Nesta fase é também fundamental a manutenção ou melhoria, se possível, da condição e capacidade física do doente.

Ao longo da progressão da doença, quando a marcha já se encontra comprometida, o fisioterapeuta que acompanha o doente com Parkinson e a sua família intervém no sentido da prevenção de quedas e na minimização das perdas de mobilidade, ensinando os seus clientes treinos de postura, transferências, capacidade funcional a nível da marcha, membros superiores e inferiores.

Numa fase mais avançada da doença, o técnico intervém no sentido da qualidade de vida e conforto do doente, através de posicionamentos e prevenção de feridas de pressão. Incentiva também a sua colocação em cadeiras de rodas e deambulação pelo ambiente que o rodeia. Nesta fase, a prevenção de contracturas através de exercícios de mobilização passiva desempenha um papel muito importante.

Investir na fisioterapia junto de doente com Parkinson, mesmo sabendo que estes sofrem de uma doença progressiva e incurável, significa investir na sua qualidade de vida e tentar garantir que a sua autonomia se prolongue por um período de tempo o mais alargado possível.

Infelizmente, ainda existem poucos recursos técnicos e humanos nesta área, especialmente no sistema nacional de saúde. No entanto, não deixe de consultar o seu médico assistente sobre estas questões e recorra a outras entidades de prestação de cuidados, disponíveis em contexto público ou privado, na sua comunidade.

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