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Estratégias para atenuar a dor

22 March 2010 3,294 views No Comment

Actualmente, cerca de 1 em cada 10 pessoas sofre de dor crónica, sendo esta de tal intensidade que leva a pessoa a uma procura de cuidados específicos neste âmbito. Contudo, embora o possamos pensar, este facto não é uma consequência inevitável do envelhecimento, e das doenças que daí decorrem, dado que existe um grande número de pessoas mais novas, que sofrem mais vezes de dores fortes do que a população idosa (Direcção Geral da Saúde – DGS, 2001). Não obstante, é também um facto que nos idosos, as alterações nos vários tecidos, ossos, músculos, e órgãos podem afectar os processos básicos de funcionamento do corpo. Consequentemente, algumas destas alterações podem causar dor, afectando assim a saúde e a qualidade de vida da pessoa idosa. Desta forma, há que adoptar estratégias (para além das ditas farmacológicas), de forma a minimizar ao máximo o desconforto e sofrimento que é sentido aquando do aparecimento da dor.

São várias as definições de dor que nos são apresentadas na literatura. Em 1979, a Healthcare Research and Quality definiu dor como sendo “uma sensação e emoção desagradável sentida e associada ao dano tecidular actual ou potencial, ou descrita em termos de tal dano”. Outra definição habitualmente mobilizada no conceito de dor é a de McCaffery e Beebe (1989), que referem que “dor é tudo o que a pessoa que a sente refere que é, e existe sempre que ela diz que existe”, o que nos reporta para a dor como um fenómeno que envolve a componente subjectiva e o reconhecimento da pessoa como o melhor juiz da sua própria experiência de dor. Eu enfatizo particularmente esta última definição, dado que muitas vezes, as pessoas que têm dor são “julgadas”, com juízos de valor de que aparentemente, estão bem e não apresentam qualquer tipo de dor. Contudo, cada pessoa cria estratégias para lidar com a dor, sendo que algumas a manifestam exteriormente mais que outras, o que nos leva a deduzir que a dor deve ser avaliada pela própria pessoa.

Sabe-se que a dor está relacionada não só com os fenómenos neurais (como a sensibilização do sistema nervoso central que nos dá a informação que estamos a sentir dor), como também com os factores psicológicos (base cultural, a experiência prévia, as crenças e o ambiente social, as atitudes e expectativas dos doentes face à dor, o sexo, a personalidade e o estado emocional de cada pessoa) e sociais.

Neste sentido, e a título de curiosidade, saiba que actualmente, existem novas tecnologias que se encontram a ser desenvolvidas de forma a avaliar mais precisamente a dor. Foi desenvolvido recentemente um novo programa informático no Reino Unido, que mobiliza um modelo do corpo humano a três dimensões, com um código de cores indicado para cada tipo de dor. Assim, a informação relativa à dor é compilada e gravada num computador pelo utente, o que permite criar registos diários dos sintomas, e enviá-los à equipa multidisciplinar através da internet (evitando a deslocação da pessoa à unidade de saúde). Este software permite, assim, avaliar a evolução e o tipo de dor, o que facilita não só o diagnóstico, como também a eficácia do planeamento das intervenções a nível multidisciplinar (Caseiro, in Sábado, 2006).

As medidas não farmacológicas no tratamento da dor podem ter uma acção benéfica e deveriam ser consideradas de rotina. (Cavalieri, 2006). Este tipo de medidas envolvem técnicas de autocontrolo da dor que devem ser efectuadas por si.

  • Relaxe. A tensão muscular agrava a dor que está a sentir.
  • Programe actividades. Ao diminuir progressivamente as actividades, aumenta a fixação nas sensações físicas e na exacerbação da dor, o que leva a sentimentos de desespero e perda da autonomia. O planeamento de actividades e o seu envolvimento promovem o sentimento de que é capaz e de que pode controlar a sua vida.
  • Execute técnicas de distracção. Foque a sua atenção em algo que não seja a dor, como por exemplo, ouvir música, ver televisão, ler.
  • Pense positivo. Uma atitude positiva face à vida, em detrimento de pensamentos negativos, pode ajudar a ultrapassar a dor e as dificuldades sentidas.

Para além destas técnicas não farmacológicas, existem ainda as terapias físicas, que estimulam o sistema supressor de dor. A massagem é um exemplo de uma terapia física, e pode ser bastante eficaz na minimização da dor, dado exercer efeitos a nível circulatório, neuromuscular, metabólico e reflexo. No caso concreto dos idosos, a automassagem pode abranger o pescoço os ombros, mas as costas terão de ser massajadas por outra pessoa. O ambiente deverá ser calmo e ter uma temperatura confortável. No caso da pele se encontrar seca, poderá ser aplicado algumas gotas de gel/creme ou de óleo de bebé, de forma a facilitar a massagem (DGS, 2001).

Outra terapia física que se pode tornar bastante eficaz é a aplicação do calor/ frio. As terapias que mobilizam o calor (termoterapia) e o frio (crioterapia) não levam à cura de nenhuma doença; contudo, são instrumentos importantes que auxiliam no tratamento de várias patologias ortopédicas e neurológicas.

O calor tem como principais efeitos terapêuticos o alívio da dor, através do aumento do fluxo sanguíneo, da diminuição da rigidez das articulações, e da estimulação das terminações nervosas cutâneas, que podem alterar a percepção da dor. Em casa, pode usar bolsas de água quente nos locais a serem tratados, na frequência de 3 vezes ao dia, durante 20 a 30 minutos (DGS, 2001).

O frio tem como principais efeitos terapêuticos a diminuição do espasmo muscular e a prevenção de edema e de reacções inflamatórias, o que provoca o alívio da dor. No tratamento pelo uso do frio, deve embrulhar um pedaço de gelo num pano, colocando-o sobre a área dorida, até a pele ficar dormente (não mais que durante 5 minutos, de forma a não sofrer uma queimadura pelo frio) (DGS, 2001).

De igual forma, a aplicação de frio pode ser realizada no lado oposto à dor sentida (por exemplo, se sente dor no joelho direito, deve aplicar frio no joelho esquerdo), o que faz com que esta diminui. Tal ocorre dado que a aplicação de gelo no lado oposto à dor faz com que haja uma “competição” de estímulos, e diminui o estímulo da dor (Phipps, 2003).

Estas são estratégias que pode e deve utilizar, com o intuito de diminuir a dor e aumentar a sua qualidade de vida.

Enf. Raquel Espadaneira

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