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Desafios do Cuidador Informal

4 April 2010 4,646 views No Comment

Com a evolução da tecnologia e das ciências associadas à medicina, ao longo dos tempos, o ser humano tem vindo a conquistar uma longevidade nunca antes presenciada ao longo da história da nossa espécie. Hoje em dia, na união europeia, um ser humano pode chegar à idade média de 74,5 anos, no sexo masculino, e 81,0 anos, no sexo feminino. No entanto, este aumento da esperança média de vida tem sido acompanhado por um envelhecimento marcado da população, que torna muitas vezes complicado de garantir a devida qualidade e assistência, nesta fase da vida.

Ainda que envelhecimento não seja sinónimo de adoecimento, sabemos que, quanto mais avançada for a idade de uma pessoa, mais capacidades vai perdendo e menor capacidade de adaptação vai tendo em relação ao meio que a rodeia. Para além disso, a sua fragilidade é crescente e vai facilitar a emergência de condições patológicas, mais ou menos graves e de manutenção clínica cada vez mais difícil. Ser idoso não é sinónimo de ser doente, mas existem alterações naturais que fazem com que as pessoas necessitem de apoio, nesta fase especial.

Apesar de estas questões serem alvo da preocupação dos profissionais de saúde e de ciências sociais, existe, ainda hoje, na nossa sociedade, uma grande falta de infra-estruturais, recursos humanos e respostas sociais, capazes de satisfazer a real dimensão das necessidades da nossa população idosa.

Assim, neste contexto, a família, os amigos ou outras pessoas significativas, vêem-se impelidas a assumir a responsabilidade pelo cuidado do seu familiar idoso próximo. A estas pessoas, que assumem, perante a necessidade, o papel de dar assistência ao idoso necessitado de ajuda nas suas actividades de vida diária, chamamos de cuidadores informais.

Cuidadores informais, são as pessoas que, sendo familiares ou outras pessoas próximas, se responsabilizam pela assistência da pessoas idosa no seu dia-a-dia, na promoção da sua qualidade de vida e garantindo que as suas necessidades diárias são satisfeitas. São pessoas que desempenham esta função numa base informal, sem preparação profissional prévia ou qualquer vínculo contratual e sem qualquer tipo de remuneração.

No nosso país, os cuidadores informais são predominantemente indivíduos do sexo feminino com laços de familiaridade próximos, que cuidam dos seus cônjuges ou progenitores. A sua idade média varia entre os 40 e os 65 anos de idade e desempenham este papel por período que podem ir desde os 5 anos, 10 anos ou mais de dez anos.

O papel do cuidador informar passa por garantir que o idoso, no seu dia-a-dia, consegue alimentar-se de forma adequada, dormir e repousar, gerir adequadamente a sua medicação e vigiar os seus problemas de saúde, que consegue cuidar de si e do seu corpo de forma a manter um quotidiano digno e nas melhores condições possíveis. Embora, de forma sucinta, possa parecer um acompanhamento quotidiano, o papel do cuidador informal é complexo, não só pela exigência física e emocional que acarreta, mas também pelas alterações que introduz no seu próprio dia-a-dia.

Apesar da maioria das pessoas que desempenham esta função referirem que este é um papel que lhes proporciona um grande sentimento de prestabilidade e satisfação, principalmente quando sentem que o idoso está bem e igualmente satisfeito, é também uma missão de grande cansaço e desalento. Muitas destas pessoas referem frequentemente problemas de falta de apoio e falta de tempo para si próprias. Os sentimentos de solidão, tristeza e depressão são comuns. Muitas tomam medicação para a ansiedade ou para conseguir dormir, e descuidam o seu próprio auto-cuidado ou o cuidados dos seus dependentes (como os seus filhos, por exemplo), em detrimento do cuidado do outro.

Outro problema comum, partilhado por muitas destas pessoas, é também a grande dificuldade de conciliação da esfera profissional e da prestação de cuidados ao seu familiar. No nosso país, muitos dos cuidadores informais são pessoas que estão a garantir um serviço que seriam da responsabilidade do sistema nacional de saúde, sem receberem nenhum contributo ou remuneração por isso. Por vezes, têm que continuar a trabalhar para conseguir sustentar a situação económica em que se encontram e a situação de saúde/doença do seu familiar. Daí os problemas económicos serem também algo de muito frequente, nas famílias que se vêm necessitadas de tomar estas decisões.

Ser cuidador informal não é uma tarefa fácil. Por esta razão, as pessoas que envolvem estes cuidadores devem estar disponíveis para ajudar (presencialmente, economicamente, etc.) e dar apoio significativo, para evitarem situações excessivas de desgaste, como por exemplo, a sobrecarga do cuidador.

Se possível, a família deve também contactar os serviços sociais e a equipa de enfermagem dos centros de saúde próximo e instituições de solidariedade social, no sentido de encontrarem alguns apoios, para si e para os seus, de forma a tornar esta situação mais sustentável. Serviços e empresas privadas de cuidados domiciliários estão sempre disponíveis para dar o seu apoio ou substituir, temporária ou definitivamente, os cuidadores informais no limiar do cansaço.

É de notar que estes apoios são fulcrais, no sentido em que os nossos cuidadores são pessoas que, elas próprias, pela fase da vida e idade em que se encontram, necessitam também de alguns cuidados especiais. É fulcral que, com estas pessoas, sejamos capazes de intervir no sentido de apaziguar o seu receio frequente de não serem capazes de, no futuro, continuar a garantir os cuidados adequados ao seu familiar, devido à sua condição de envelhecimento ou saúde, ou de apenas necessidade de tempo para si próprios.

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