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Alzheimer – o medo de não lembrar

19 August 2010 5,819 views No Comment

A doença de Alzheimer afecta cerca de 90 mil pessoas em Portugal. É uma doença neurológica degenerativa, incurável e progressiva, para a qual não existe ainda um tratamento de cura eficaz. Mesmo as suas causas são desconhecidas, relacionada com características genéticas, e apenas alguns factores de risco são apontados pelos clínicos.

Um dos factores referentes ao risco do aparecimento da doença de Alzheimer refere-se à idade, sendo que esta é mais comum em pessoas com mais de 50 anos.

A doença de Alzheimer é uma doença que ocorre a nível cerebral, através da morte progressiva das células neurológicas e atrofia do cérebro. O cérebro vai adormecendo progressivamente, sem hipótese de reversão.

Inicialmente, começa por atingir a memória: verificam-se pequenos esquecimentos, aceites pela família como um processo associado ao envelhecimento normal do idoso. Estes esquecimentos vão se agravando progressivamente, provocando alterações profundas a nível de comportamento e relacionamento com os que o rodeiam.

Numa fase seguinte, muitos destes doentes deixam de reconhecer a imagem dos seus familiares e a sua própria imagem. Alguns conservam a memória a longo prazo, mas apresentam estados de confusão frequentes, que dificultam os seus processos de comunicação e interacção com os seus familiares.

A evolução natural da doença acaba por atingir funções mentais mais abrangentes, tornando estas pessoas cada vez mais dependentes de terceiros. Iniciam-se as perdas de mobilidade e com a progressão da doença é necessária a presença de terceiros para garantir o auto cuidado destes doentes, em áreas como a higiene e a alimentação. A comunicação, verbal e não verbal, perde-se com o passar do tempo e a autonomia desvanece-se.

Os doentes de Alzheimer perdem capacidades de memória e mobilidade, de comunicação e movimentos, tornam-se progressivamente incontinentes e, na maioria dos casos, acamados.

Ainda que não exista um tratamento eficaz contra esta doença, existe um conjunto de procedimentos, farmacológicos e não farmacológicos, que promovem a progressão mais lenta da doença e uma maior qualidade de vida para estes doentes e seus familiares. A estimativa de vida para os pacientes situa-se entre os 2 e os 15 anos, sendo que doentes com maior investimento terapêutico podem demonstrar uma esperança de vida superior.

Existem duas vertentes de intervenção, junto dos doentes com Alzheimer e suas famílias.

O primeiro refere-se à intervenção face a aspectos comportamentais. Incentivar a recreação e o exercício de capacidades cognitivas, numa fase inicial, podem ser factores estimulantes. A terapia ocupacional, na intervenção face a estas questões e a actividades da rotina diária, como a alimentação, por exemplo, é determinante nesta vertente. Também a fisioterapia e a neuroestimulação desempenham papéis fundamentais, intervindo junto da estimulação física, sensorial e cognitiva, tentado retardar o mais possível a perda das capacidades relacionados com esta doença.

Outra vertente de intervenção passa pelo controlo farmacológico de alguns sintomas relacionados com a doença. Para além disso, é já possível controlar alguns dos desequilíbrios químicos que ocorrem no cérebro. De referir que, esta intervenção farmacológica, é mais eficaz no início da doença. Para além disso, existem diferentes respostas aos fármacos, em diferentes doentes.

Os fármacos disponíveis no mercado são transitórios e apenas eficazes no início do processo de doença – ainda não existem medicamentos que sejam capazes de impedir que, mais tarde, a doença de Alzheimer continue a sua progressão.

Em Portugal, a área dos Cuidados Paliativos desempenha um papel fundamental no acompanhamento destes doentes e apoio às suas famílias.

Lidar com esta doença é um desafio significativo para todos os elementos da família, em especial para as pessoas próximas, como os filhos e os cônjuges, que lidam com a perda de identidade e capacidades do seu ente querido.

Se convive com esta situação no seu seio familiar, procure um profissional de saúde de referência, que lhe ajude a esclarecer as suas dúvidas e a gerir o melhor possível, em conjunto com os elementos da família, esta situação de perda progressiva do seu familiar.

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